É indiscutível a necessidade de adequar as situações de ensino-aprendizagem às exigências hodiernas. Por isso, o autor deste blog tem utilizado gêneros discursivos de ampla circulação na sociedade em sala de aulas para, conforme orientações dos PCNs, explorar aspectos concernentes ao “uso” e à “reflexão” sobre a língua.
Na EE Prof. Francisco de Paula Conceição Júnior (Diretoria de Ensino Sul 1, Campo Limpo, Capital, SP), em qual o professor que gerencia este blog leciona a disciplina Língua Portuguesa para duas turmas de nono ano (8ªC e 8ªH), desenvolveu-se um projeto acerca de conversação telefônica. Na esteira de MARCUSCHI (Da fala para a escrita: atividades de retextualização – p. 41), crê-se que haja um “contínuo de gêneros textuais na fala e na escrita”; em outras palavras, que em algumas situações comunicativas, a dicotomia fala/escrita é insuficiente para explicar o fenômeno linguístico – existe uma fala, mas a organização textual assemelha-se à do escrito.
Não obstante MARCUSCHI situar a conversação telefônica no âmbito da “fala”, na concepção do educador da rede estadual há contextos em que o planejamento e a interação pressupõem um grau de formalidade e uma ausência de intimidade que a aproximaria muito mais dos gêneros escritos. Nesse sentido, caracterizaria um gênero em que o “contínuo” não permite a classificação tradicional “fala/escrita”.
Os áudios a que se terá acesso permitirão a análise de um “corpus” de situações comunicativas em que houve a intenção de se analisar e refletir sobre a adequação do uso lingüístico à necessidade do contexto de interação. São simulações, é verdade, de situações reais; mas, de fato, de uso contínuo desse grupo escolar e de seus familiares: conversações telefônicas para reclamar direitos com a operadora de celular, com serviços de “speedy”, cobranças indevidas de serviços de utilidade pública, procura de vagas para a escola, etc. Em todas elas, apesar de se falar, a conversação assumiu características próprias da escrita; distanciando-se, portanto, de um simples telefonema informal para a mãe(pai) ou a namorada(o).
Vale lembrar: ainda há um processo de reflexão e análise dos textos telefônicos. Embora se tenha alcançado um nível de satisfação louvável, aperfeiçoamentos de ordem estrutural e de registro ainda serão observados.
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